A resistência de pragas a inseticidas químicos surge quando aplicações repetidas do mesmo modo de ação selecionam indivíduos com mutações que toleram o produto. Com o tempo, a dose que funcionava deixa de controlar, a população resistente cresce e o custo de manejo aumenta. Daniela Maggio, especialista em produtos biológicos da Agroceres Binova, destaca que a saída é integrar ferramentas e disciplinar o uso das moléculas.
Por que a resistência aparece
- Repetição do mesmo princípio ativo ou modo de ação.
- Subdose, deriva e cobertura insuficiente.
- Intervalos mal definidos e entrada sem base em monitoramento.
Resultado prático: sobreviventes carregam genes de tolerância, reproduzem-se e dominam a área.
Manejo integrado: químico + biológico
- Choque químico: uso criterioso de inseticida para derrubar rapidamente a população quando o nível de ação é atingido.
- Controle biológico residual: agentes como Beauveria, Metarhizium e Bacillus thuringiensis mantêm pressão contínua sobre sobreviventes e fases ocultas, com menor risco de resistência cruzada.
Regras simples que funcionam
- Rotação de modos de ação (IRAC) por janela de aplicação na safra.
- Limiar de ação definido por monitoramento; nada de calendário fixo.
- Qualidade de aplicação: água adequada, bicos corretos, volume e cobertura no alvo.
- Compatibilidade em calda antes de misturar biológicos e químicos.
- Registro por talhão: produto, data, volume, eficiência aos 3–7 dias.
Quando usar cada ferramenta
- Pressão alta e dano iminente: entrar com o químico adequado ao alvo.
- Após o choque: inserir biológico em condições favoráveis de umidade e temperatura para sustentar o controle.
- Entre picos de infestação: manter aplicações biológicas estratégicas para evitar nova explosão populacional.
Indicadores de que a tática está correta
- Menos reaplicações do mesmo grupo químico por ciclo.
- Estabilidade da eficácia média ao longo das safras.
- Queda da variabilidade de infestação entre talhões monitorados.
Reduzir resistência exige disciplina tática. Rotação real de modos de ação, decisões por monitoramento e integração de biológicos transformam o controle pontual em controle sustentado.
Adicionar Comentários