O Trichoderma spp. é hoje o agente biológico mais estudado e difundido no Brasil para doenças de solo. Em publicações da Embrapa, o gênero se destaca pela plasticidade ecológica, alta capacidade reprodutiva e múltiplos mecanismos de supressão de fitopatógenos, com efeitos adicionais de estímulo ao crescimento vegetal.

Isabella Tavares, especialista em Produtos Biológicos da Agroceres Binova, resume o papel operacional: O Trichoderma não é um único produto, mas um conjunto de espécies e cepas com posições diferentes no manejo. A decisão correta passa por espécie/cepa, formulação, alvo e ambiente de solo.

Espécies de maior uso e alvos

  • T. harzianum: amplo espectro para patógenos de solo (Rhizoctonia, Sclerotinia, Fusarium, Pythium), com histórico de uso comercial e bibliografia consolidada.
  • T. asperellum: efetivo contra Fusarium oxysporum f. sp. cubense e com resultados em arroz (brusone) e outras culturas;
  • T. koningiopsis/koningii complex: reconhecido por forte arsenal enzimático (quitinases e β-1,3-glucanases), associado a micoparasitismo e antibiose.
  • Novidades taxonômicas: isolados brasileiros recentes incluem T. koningiopsis e T. asperellum em biomas Cerrado/Amazônia; estudos de 2025 reportam novas linhagens com potencial agronômico.

Mecanismos de ação (multialvo)

  1. Micoparasitismo: contato, enovelamento e perfuração de hifas do patógeno, mediado por enzimas líticas.
  2. Antibiose: produção de metabólitos secundários antifúngicos e enzimas (quitinases, glucanases).
  3. Competição: uso eficiente de espaço e nutrientes na rizosfera, reduzindo a aptidão do patógeno.
  4. Indução de resistência: ativação de defesas da planta (ISR), com reflexos em sanidade e vigor.

Revisões recentes reforçam a robustez do micoparasitismo e das vias enzimáticas como pilares do desempenho de campo.

Efeitos agronômicos adicionais

  • Promoção de crescimento: maior exploração radicular e parte aérea por efeitos auxínicos e melhoria da rizosfera.
  • Ciclagem/solubilização de nutrientes: contribuição indireta via atividade microbiana e enzimas do complexo rizosférico.

Posicionamento e uso em campo

  • Tratamento de sementes: colonização inicial da rizosfera e proteção contra damping-off e patógenos iniciais.
  • No sulco/solo: indicado quando o alvo principal é Sclerotinia ou Rhizoctonia; exige palhada e umidade para maximizar colonização.
  • Cobertura/palhada: componente não negociável para mofo-branco; a ausência de palha e a oscilação térmica penalizam a eficiência.

Qualidade do produto e compatibilidade

A qualidade do bioinsumo é determinante: concentração de propágulos viáveis, pureza, ausência de contaminantes, estabilidade e desempenho em testes de controle de qualidade. Embrapa sistematiza metodologias e recomenda verificações laboratoriais e de lote.

Compatibilidade com agroquímicos e adjuvantes deve ser testada por cepa/formulação; biossurfactantes e alguns ingredientes podem afetar viabilidade e performance. Estudos recentes exploram interações com tensoativos e veículos biológicos, reforçando a necessidade de ensaios prévios.

Limites e condições de sucesso

  • O Trichoderma não substitui práticas culturais: rotação, espaçamento, manejo de irrigação e palhada são sinérgicos.
  • Expectativas devem considerar variação por ambiente e ano; redes cooperativas documentam amplitude de resposta e importância do posicionamento.

Síntese operacional

  1. Definir alvo e janela de aplicação (semente/sulco/solo).
  2. Escolher espécie/cepa com evidência para o patossistema local (harzianum, asperellum, koningiopsis) e garantir qualidade de lote.
  3. Assegurar ambiente favorável: palhada de gramíneas, umidade e temperatura de solo compatíveis.
  4. Verificar compatibilidade com misturas e veículos da operação.

Ao incorporar esses pontos, o uso de Trichoderma evolui de “produto” para estratégia de sistema, com base empírica e protocolos de qualidade alinhados às diretrizes públicas brasileiras defesas naturais da planta. Isso resulta em lavouras mais saudáveis, fortes e produtivas.

A Agroceres Binova conta com uma linha de produtos Biológicos que utilizam o os fungos do gênero Trichoderma. Consulte um de nossos consultores e saiba como utilizar esse microrganismo de forma estratégica na sua lavoura.

Fontes:

https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/handle/doc/1117296. https://seer.sct.embrapa.br/index.php/pab/article/view/3014. https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/217/o/Claudia.pdf. https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/216271/1/circ81.pdfhttps://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1145774/1/Circ-Tec-186.pdfhttps://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/189682/4/doc241.pdfhttps://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1139001/1/doc377-vs10.pdf. https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/100901405/pesquisa-identifica-fungos-do-solo-que-eliminam-100-do-mofo-branco-que-afeta-soja-feijao-e-algodao: https://www.embrapa.br/en/busca-de-noticias/-/noticia/78923232/brazilian-strains-of-fungi-show-potential-to-control-white-mold

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