O sucesso na aplicação de defensivos e fertilizantes começa antes mesmo de apertar o gatilho do pulverizador. Saber escolher e regular corretamente o equipamento faz toda a diferença na efetividade do manejo e na sustentabilidade da lavoura de café.
Regulagem do equipamento
A regulagem correta de bicos e pulverizadores é fundamental para garantir que os insumos atingirão o alvo sem desperdícios ou efeitos adversos. Isso envolve atenção a detalhes como pressão do spray, padrão de deposição, volume por área e tipo de bico utilizado.
Segundo o Consultor Técnico especializado em café da Agroceres Binova Sinesio Donizete Zerneri, “a eficácia do defensivo está diretamente ligada à qualidade da aplicação — sem uma regulagem adequada, mesmo o melhor produto pode falhar”.
A combinação que garante eficiência
Uma aplicação eficiente combina três pilares:
- Alvo bem definido (o que se pretende atingir na planta);
- Equipamento regulado (pontas compatíveis, pressão ajustada, vazão coerente);
- Condição de gota adequada (tamanho e energia suficientes para chegar onde precisa).
Quando esses fatores estão alinhados, a calda atinge a superfície certa, com cobertura uniforme e menos desperdício.
Hectare vertical: pensar volume pela parede vegetal
Em café, o volume de aplicação precisa considerar a parede de folhas e ramos, não apenas a área de solo. O vídeo aborda o conceito operacional de hectare vertical: dimensionar a aplicação conforme o montante de vegetação a ser coberta. Em termos práticos, talhões mais “encorpados” pedem maior volume e atenção à distribuição ao longo da altura da copa; talhões mais abertos permitem volumes menores sem comprometer a efetividade. Esse raciocínio ajuda a casar volume e arquitetura do cafeeiro, evitando tanto falta quanto excesso de calda.
Tamanho de partícula/gota: cobertura x perdas
O tamanho da gota influencia diretamente a cobertura e as perdas por deriva ou evaporação:
- Gotas menores tendem a espalhar e cobrir melhor superfícies complexas, mas podem se perder mais facilmente antes de chegar ao alvo.
- Gotas maiores reduzem perdas e melhoram a chegada ao interior da copa, mas podem deixar sombras se a energia e a orientação do jato não estiverem corretas.
O ajuste fino do tamanho de partícula passa por pontas adequadas e pressão compatível com o objetivo da aplicação.
Regulagem de pontas e pressão
A ponta define o padrão do jato e a faixa de deposição; a pressão controla tanto a vazão quanto o perfil de gota.
- Escolher pontas que entreguem padrão estável e faixa uniforme;
- Ajustar pressão para não “estourar” gota (perdas) nem enfraquecer jato (falta de penetração);
- Verificar se a distribuição ao longo da copa está consistente — do baixeiro ao ponteiro.
O que observar no campo
Zerneri destaca que “um sistema bem calibrado oferece cobertura uniforme e otimiza o uso de insumos, gerando resultados mais consistentes na lavoura”. Então é importante observar:
- Uniformidade: placas ou cartões (quando usados) devem indicar cobertura constante nos diferentes estratos da copa.
- Vazão condizente: o equipamento precisa entregar o volume previsto para a condição do talhão (mais vegetação → mais volume).
- Perdas visíveis: escorrimento excessivo ou “nuvem” fora do alvo sinaliza gota inadequada e/ou pressão mal ajustada.
- Manutenção: pontas desgastadas e filtros sujos alteram o padrão de jato e comprometem todo o ajuste.
Resultado prático
Com hectare vertical guiando o volume, tamanho de gota compatível com o alvo e equipamento bem regulado, a aplicação ganha em cobertura, regularidade e aproveitamento do produto. O produtor sente no dia a dia: menos retrabalho, menor custo por hectare e mais constância nos resultados.
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